A Acréscimo, Associação de Promoção ao Investimento Florestal, é uma organização cívica, sem fins lucrativas, não setorial mas com enfoque nas florestas, que tem por objeto a promoção de negócios associados às atividades florestais, que sejam economicamente sustentados, ambientalmente sustentáveis e socialmente responsáveis, ou seja, que se enquadrem nos princípios da Economia Verde, num contexto de Desenvolvimento Sustentável.
quinta-feira, 10 de março de 2016
São seguras as plantações de eucalipto em Portugal?
Publicada por
Acréscimo - Associação de Promoção ao Investimento Florestal
à(s)
17:15
Sem comentários:
terça-feira, 8 de março de 2016
The Navigator Company: práticas desleais nos Estados Unidos
O Departamento de Comercio dos Estados Unidos determinou a
aplicação de procedimentos anti-dumping ao grupo papeleiro Portucel Soporcel,
agora The Navigator Company. Esta
ocorrência, em decisão definitiva, reforça as preocupações antes manifestadas
pela Acréscimo sobre os impactos desta pratica da empresa num destino
primordial para as exportações nacionais, incluindo as de base florestal, e
sobre a produção florestal nacional.
Em decisão definitiva, o Departamento de Comércio dos Estados
Unidos confirmou a prática de dumping
pela agora The Navigator Company no
mercado norte americano.
A empresa é a única da Europa envolvida num processo mais vasto,
que engloba ainda empresas da industria papeleira da China e da Indonésia,
entre outros países.
Sendo o mercado norte americano um espaço primordial para as
exportações portuguesas, incluindo as de base florestal, como as de papel, mas
também as da cortiça e de mobiliário, esta prática desleal não transmite uma
imagem positiva das empresas portuguesas e europeias.
O impacto das medidas
corretivas que venham a ser adotadas pelas autoridades norte americanas, pode
servir de motivo, pela empresa a operar em Portugal, para fazer repercutir os
danos desta sua pratica na produção de rolaria de eucalipto nacional, já de si
sujeita a mercados a funcionar em concorrência imperfeita. Importa, pois, que o
Governo acautele eventuais danos na produção nacional, com consequências para a
Sociedade, designadamente no agravamento do risco de propagação de incêndios.
Afinal de contas, Portugal é hoje um país em desflorestação (perde em cada ano
o equivalente à área de Lisboa). Importa não piorar a situação dos espaços
florestais nacionais.
Publicada por
Acréscimo - Associação de Promoção ao Investimento Florestal
à(s)
17:03
Sem comentários:
segunda-feira, 7 de março de 2016
Os eucaliptais em Portugal são seguros?
O mês de março é tradicionalmente motivo de comemoração da
primavera, das árvores e das florestas. Sobre estas últimas, a Acréscimo
levantará vários conjuntos de questões sobre a sua situação em Portugal. O
segundo conjunto relaciona-se com a expansão das plantações de eucalipto em
Portugal.
1.
A expansão das plantações de
eucalipto em Portugal tem enquadramento legal?
A Lei n.º 33/96, de 17 de
agosto, aprovada por unanimidade pela Assembleia da República e que este ano
comemora 20 anos sob a sua publicação, define na alínea a) do Art.º 3.º que as
políticas tendentes ao aumento da produção, para além da expansão da área
florestal, devem contemplar o aumento da produtividade dos espaços florestais,
na ótica do uso múltiplo dos recursos e da sua sustentabilidade.
Só entre 1995 e 2015, a
área de eucaliptal em Portugal teve um acréscimo de quase 100 mil hectares. Portugal
dispõe hoje da quarta maior área de plantações de eucalipto a nível mundial, ou
seja, dispõe de uma área superior à de Espanha e só superada pela Índia, pelo
Brasil e pela China. O nosso país dispõe de uma área de plantações de eucalipto
superior à da própria Austrália, país de onde é originário.
Todavia, neste período de
tempo a produtividade permanece a níveis muito baixos, estimada em 6 metros
cúbicos por hectare e ano, isto apesar do desempenho ocorrido ao nível das
técnicas de melhoramento florestal nas últimas décadas, por exemplo, de
clonagem. Este facto é sinal de problemas na gestão destas plantações, na
componente técnica, mas sobretudo na vertente comercial.
Assim, tudo leva a crer
que a expansão da área de eucaliptal, registada após 1996, carece de
enquadramento na Lei de Bases da Política Florestal. Será por isso legal?
2.
As plantações de eucalipto em
Portugal são adequadamente geridas?
De acordo com o último
Inventário Florestal Nacional (IFN6), publicado em 2013, Portugal dispõe de uma
área de 812 mil hectares de eucaliptal, o correspondente a 26% da área
florestal nacional (em todo o caso, um relatório da Semapa, de 2006, assumia
esta mesma área de eucaliptal, à altura, em 817 mil hectares).
Dos 812 mil hectares de
eucaliptal registados oficialmente em Portugal:
- Cerca
de 93 mil hectares são mistos com pinheiro bravo, sinal de uma deficiente
gestão;
- Outros
70 mil hectares têm um coberto inferior a 50%, sinal de baixa
produtividade e de uma ineficiente ou gestão ausente;
- Aproximadamente
400 mil hectares apresentam uma densidade inferior a 600 árvores por
hectare, sinal de gestão inadequada face ao uso que têm por destino; e,
- Por
fim, 100 mil hectares com apenas eucalipto (povoamentos puros) possuem árvores
com idades superiores a 12 anos, indício de má ou inexistente gestão para
o uso industrial politicamente protegido.
Ou seja, mais de 600 mil
hectares de eucaliptal em Portugal apresentam sinais de gestão minimalista ou
de abandono.
3.
Quais os riscos da má gestão
dos eucaliptais em Portugal?
Uma gestão minimalista ou
de abandono das plantações de eucalipto, por falhas de natureza técnica, consequência
de problemas de natureza comercial, trás enormes impactos ao nível económico,
ambiental e social, desde logo pelo risco de propagação de incêndios.
Entre 2000 e 2011, segundo
dados do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), 43% a
área ardida em floresta ocorreu em eucaliptais. O eucalipto assume assim lugar
cimeiro no que toca ao risco de incêndio em floresta.
A deficiente gestão dos
eucaliptais tem ainda como consequência uma mais fácil proliferação de pragas e
de doenças, nalguns casos sem controlo e com “importação” de agentes biológicos
exóticos para luta biológica, com consequências por apurar ao nível dos nossos
ecossistemas.
Estes riscos têm maior
destaque nas regiões onde predomina o minifúndio, ou seja, no Centro, no Norte
e no Algarve. Curiosamente, onde existe maior pressão ao nível das arborizações
e rearborizações com esta espécie lenhosa. Não é um bom sinal para a Sociedade.
4.
A quem serve o negócio silvo
industrial associado às plantações de eucalipto?
Depreendendo da deficiente
gestão da grande maioria dos eucaliptais nacionais, o negócio associado ao uso
desta espécie está fortemente condicionado ao nível da lavoura.
Na componente silvícola
deste negócio parece que nem para as empresas industriais merece interesse
financeiro. Só entre 2002 e 2011, as empresas da indústria de pasta celulósica
e papel abandonaram a sua presença nos eucaliptais em mais de 33 mil hectares (muito
embora o responsável de uma delas tenha vindo a público, em maio de 2012,
exigir mais 40 mil hectares para viabilizar um aumento da sua capacidade
industrial).
Tudo leva a crer que estas empresas optaram por uma transferência
do risco para os proprietários familiares. O problema é que, face ao risco
associado à deficiente gestão, a própria Sociedade será penalizada por esta
estratégia industrial.
Tendo em conta:
- A imposição pela procura, politicamente protegida, dos preços à oferta;
- A exigência do aumento de uma oferta de risco, politicamente assegurada, associada sobretudo às arborizações e rearborizações em minifúndio, onde os proprietários têm tradicionalmente menor capacidade negocial,
Tudo aponta para uma campanha do eucalipto (por analogia com
a campanha do trigo), ou seja, de uma utilização egoísta, sob proteção
política, quer da lavoura, quer do território e, pelos riscos que aporta, da
própria Sociedade, para benefício de acionistas (ditos industriais, mas, na
realidade, semi-industriais em fuga à concorrência).
5.
Face à área já existente, como
tornar seguras estas plantações?
As plantações de eucalipto
localizam-se esmagadoramente em propriedade privada familiar. Geram segurança
aquelas que potenciem um rendimento que permita suportar uma gestão
profissional e uma subsequente melhoria da produtividade.
Os passos para a segurança
destas plantações passam:
- Por uma urgente intervenção estatal nos mercados, já que estes funcionam hoje em concorrência imperfeita, com danos graves para a Sociedade;
- Pela disponibilização de capacidade técnica aos produtores, preferencialmente assente nas suas organizações, através de um serviço nacional de extensão florestal;
- Pelo desenvolvimento de novos mercados para a madeira de eucalipto, promovendo a concorrência ao nível da procura; e,
- Pelo fomento do autoabastecimento industrial, designadamente pela criação de uma taxa de reposição do coberto florestal de terceiros, a cobrar à procura, de valor acrescido para as rearborizações com eucalipto.
Esta taxa de reposição do
coberto florestal de terceiros, alargada a outras fileiras, pode servir de
receita para o Fundo Florestal Permanente no apoio ao associativismo florestal,
concretamente para funcionamento do serviço de extensão florestal.
As plantações de eucalipto em Portugal podem servir a vários
mercados, seja o papeleiro, ou da produção de celulose para a indústria têxtil,
seja para a produção de biomassa para energia ou de carvão vegetal, ou, com
maior valor acrescentado, na produção de madeira para a construção e para mobiliário.
O uso desta espécie não está por isso sequestrado a um único
destino, embora façam crer do contrário. Agora, num país essencialmente com
plantações privadas não industriais, o uso desta espécie está necessariamente vinculado
ao rendimento que possa gerar, caso contrário os riscos destas plantações
convertem-nas num elevado problema para a Sociedade.
Não há negócios com base no eucalipto responsáveis sem
plantações sustentáveis. Hoje não o são.
Publicada por
Acréscimo - Associação de Promoção ao Investimento Florestal
à(s)
07:34
Sem comentários:
quarta-feira, 2 de março de 2016
A mais grave situação de desflorestação no continente europeu (video)
Publicada por
Acréscimo - Associação de Promoção ao Investimento Florestal
à(s)
15:31
Sem comentários:
terça-feira, 1 de março de 2016
A mais grave situação de desflorestação no continente europeu
O mês de março é tradicionalmente motivo de comemoração da
primavera, das árvores e das florestas. Sobre estas últimas, a Acréscimo
levantará vários conjuntos de questões sobre a sua situação em Portugal. O
primeiro deles respeita à desflorestação.
1. Portugal é um país em
desflorestação?
Entre 1990 e 2015,
Portugal perdeu, em média anual, mais de 10 mil hectares de floresta, aproximadamente o equivalente, em cada ano, à área total de Lisboa.
Na esmagadora maioria a
transferência de ocupação do solo ocorre para áreas de matos.
Esta situação, com tendência
de agravamento, é hoje registada a nível internacional, seja pelo Eurostat, seja pelas Nações Unidas (FAO).
2. Quais os motivos para a desflorestação
em Portugal?
Em Portugal, as florestas
são detidas em mais de 98,4% por entidades não públicas, esmagadoramente na
posse de famílias, seguidas por áreas afetas a comunidades rurais e, em
decréscimo, por plantações de empresas industriais. Esta situação é ímpar a
nível europeu e mundial.
Acresce ainda o facto de, em
especial nas regiões do Norte, do Centro e no Algarve, as propriedades serem em
elevado número e de reduzida dimensão.
Em todo o caso, o
potencial produtivo das florestas em Portugal é muito superior às
produtividades registadas noutros países europeus. Por outro lado, as florestas
em Portugal assumem especial destaque contra o avanço da desertificação e na
mitigação aos efeitos das alterações climáticas.
Contudo, sendo as
florestas portuguesas essencialmente privadas, o rendimento da atividade
silvícola tem vindo tendencialmente a decrescer desde 2000, a par do aumento da
concentração na indústria. Desde então, os preços pagos à silvicultura não
acompanharam o aumento dos preços dos fatores de produção.
3. Quais as consequências da
falta de expetativas de rendimento?
O condicionamento do
rendimento silvícola, fruto de mercados a funcionar em concorrência imperfeita,
tem logo efeito na gestão florestal. Tendencialmente, a falta de rendimento tem
provocado uma redução nos custos com a gestão das florestas, assumindo cada vez
maior destaque os modelos de gestão minimalista e, cada vez mais, de abandono.
De acordo com discursos
oficiais, Portugal regista hoje entre 1,5 a 2 milhões de hectares sob gestão de
abandono.
Um exemplo concreto é o
caso da espécie com maior expressão nos espaços florestais portugueses, o
eucalipto, com uma área oficial de 813 mil hectares, a quarta maior área de
plantações de eucalipto a nível mundial. No mercado da madeira de eucalipto em
Portugal a procura define unilateralmente o preço de compra, facto que ocorre
com a conivência do poder politico. Assim, nestas plantações, cerca de 80% está
submetida a uma gestão deficiente ou inexistente, com produtividades médias
anuais correspondentes a cerca de metade das registadas nas plantações geridas
pelas empresas da indústria papeleira. Apesar disso, a indústria papeleira, nos
últimos 10 anos, reduziu as suas áreas próprias em mais de 30 mil hectares. Este
comportamento transfere os riscos da sua atividade para os produtores
florestais privados, sob os quais exerce controlo de preço, e para a Sociedade.
A ausência de uma gestão
florestal efetiva, seja no plano técnico, seja no comercial, tem consequências
numa mais fácil proliferação de pragas e de doenças, mas, com maior impacto na
sociedade portuguesa, agrava substancialmente a propagação de incêndios
florestais. Neste domínio, Portugal tem assumido um mau destaque no plano
europeu.
Os incêndios florestais
colocam Portugal numa péssima situação a nível internacional,
com forte tendência de evolução negativa. Esta tendência tende
a piorar no futuro, seja pelo risco que trás ao investimento, seja pelo impacto
das alterações climáticas.
4. Qual o impacto nas exportações
de produtos de base florestal nacionais?
Um registo de
desflorestação e uma tendência não invertida de gestão anárquica dos recursos
naturais, do território e da biodiversidade, agora evidenciado a nível internacional,
poderá ter fortes consequências negativas nas exportações de bens de base
florestal, sobretudo junto de mercados onde são mais evidentes as preocupações
ambientais dos consumidores.
Esta situação tende
inclusive a ser evidenciada por concorrentes das indústrias florestais a operar
em Portugal.
5. Quais as decisões a tomar para
contrariar a desflorestação em Portugal?
Portugal precisa, antes de
mais, de uma estratégia de desenvolvimento rural, com medidas e instrumentos
que cativem as pessoas a residir e a sustentarem-se em zonas rurais. Não é
possível uma aposta consolidada nas florestas portuguesas sem pessoas e outras
atividades económicas que lhes permitam uma vida condigna, de acordo com os padrões
europeus.
Ao nível da politica
florestal, é evidente a necessidade de intervenção oficial no funcionamento dos
mercados, corrigindo o atual funcionamento em concorrência imperfeita. Isto para
além de uma aposta estratégica na investigação e desenvolvimento, bem como da
fundamental criação de um serviço de extensão florestal.
Ao contrário do que tem
acontecido até hoje, as medidas e os instrumentos de politica florestal tem de
ter por público alvo os proprietários florestais privados. Nesta situação
torna-se imperiosa a conclusão e a atualização do cadastro das propriedades rústicas.
Um país em que 98,4% das áreas florestais estão na posse de
entidades privadas ou similares, sobretudo de famílias e comunidades rurais,
tem de salvaguardar o rendimento silvícola como meio fundamental para assegurar
uma gestão, técnica e comercialmente, eficiente, atenuando assim os riscos para
as florestas e para a sociedade. A regulação dos mercados, uma aposta
estratégica em I&D e num serviço de extensão florestal, são incontornáveis.
Não existe indústria florestal responsável sem florestas
sustentáveis. Hoje não o são.
Publicada por
Acréscimo - Associação de Promoção ao Investimento Florestal
à(s)
10:59
Sem comentários:
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Sobre a análise do Banco de Portugal às empresas dos setores da madeira, da cortiça e do papel
O Banco de Portugal publicou no passado mês de janeiro um estudo
sobre empresas a operar nas atividades de silvicultura, nas indústrias da
madeira e mobiliário, da cortiça e do papel. A mesmo tem por base a recolha e
tratamento de dados da Informação Empresarial Simplificada (IES), referente ao
exercício económico de 2014, e de informação complementar relativa ao
financiamento das empresas. O estudo do Banco de Portugal, no que à
Silvicultura respeita, apresenta diversas debilidades.
Assim, no que à atividade
silvícola respeita, o estudo do Banco de Portugal é limitado aos sujeitos
passivos de IRC ou de IRS que, por obrigação legal ou por opção, dispõem de
contabilidade organizada. De fora, ficam um número muito significativo de
proprietários rústicos com atividade silvícola, mas que não dispõem de
contabilidade organizada. Estes são mais representativos nas regiões litorais
do Norte e do Centro, e no Algarve, onde domina o minifúndio e tem prevalência
a produção lenhosa.
No estudo, é referido que o
segmento da Silvicultura engloba as empresas da Divisão 02 da CAE-Ver.3, não identificando,
contudo, se a análise se restringiu apenas à CAE principal, ou se englobou
ainda CAE secundários. Importa ter em conta que muitas sociedades agrícolas
enquadram a sua atividade principal na Divisão 01, muito embora desenvolvam atividade
silvícola, possuindo CAE secundário na Divisão 02. O seu impacto é relevante em
regiões onde dominam as propriedades de média e grande dimensão, estando associadas,
exclusiva ou em simultâneo, à atividade suberícola e à produção lenhosa.
Ao não desagregar a
Divisão 02 nos Grupos que a constituem, o estudo do Banco de Portugal analisa
em igualdade as empresas com atividade produtiva, incluindo as que integram
grandes grupos industriais (p.e., a Portucel Florestal e a Altri Florestal),
com outras que, não tendo a posse ou sejam gestoras de superfícies florestais,
são a estas prestadoras de serviços silvícolas e de exploração florestal,
incluindo os viveiros florestais (p.e., a Viveiros Aliança). Faria talvez
sentido que, na Silvicultura, fossem envolvidas apenas as empresas com CAE
principal e secundário no Grupo 021.
Apesar das fragilidades
apontadas, no segmento da Silvicultura (no total da Divisão 02 da CAE-Ver.#), fica
evidente o impacto das microempresas, seja quanto ao número de empresas, seja
no volume de negócios, ou no número de pessoas ao serviço. De destacar também o
facto de, na Silvicultura, as empresas com menos de 20 anos representarem cerca
de 80% do volume de negócios, em contrate com o registado na indústria. Os
apoios públicos enquadrados na Política Agrícola Comum (PAC) podem servir para
parte da explicação. Este segmento regista ainda o menor nível de concentração,
em contraste com a indústria papeleira. Este facto tem aliás merecido forte
preocupação da Acréscimo, designadamente sobre o seu impacto no funcionamento
dos mercados de material lenhoso e suberícola.
Embora com um universo limitado e com necessidade de ajustes na
recolha dos dados relativos à atividade silvícola, a análise do Banco de
Portugal, no que respeita ao peso do sector nas exportações, ao qual foi dado recentemente
maior ênfase pública, parece revelador de motivos de entusiasmo. Todavia, esse
entusiasmo resulta apenas de ilusão. As
exportações de base florestal portuguesas não são sustentáveis.
Importa relacionar os
resultados deste estudo com as mais recentes estatísticas de Agricultura,
Florestas e Pescas, publicadas pelo Eurostat, e
com o relatório de Portugal para o “Global Forest Resources Assessment 2015”,
publicado no final de 2015 pela FAO. Nestes, fica
evidente que Portugal é o país europeu com a mais grave situação de desflorestação. Este facto limitará
proximamente o desempenho da indústria no acesso a destinos internacionais mais
exigentes quanto às preocupações ambientais.
Mais, é ainda obrigatório adicionar, para uma análise que tem de
ser global, os mais recentes dados apresentados pela Prodata
em matéria de riscos associados ao investimento florestal. As alterações
climáticas irão potenciar estes riscos.
Em Portugal, mesmo com um elevado acréscimo das importações de
matérias primas, o desempenho da indústria e o peso do sector nas exportações
estará sempre dependente do rendimento
na floresta privada portuguesa
(98,4% da área florestal nacional). Este está hoje fortemente condicionado por
mercados que funcionam, politicamente protegidos, em concorrência imperfeita.
Deseja-se assim que o Banco de Portugal, se e quando pretender
efetuar estudos neste domínio, corrija as debilidades de exercícios anteriores,
as quais podem servir para alimentar sensações de mera ilusão.
Publicada por
Acréscimo - Associação de Promoção ao Investimento Florestal
à(s)
16:28
Sem comentários:
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Conselhos e florestas
O Governo promoveu hoje, 10 de fevereiro, por iniciativa do Secretário
de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, uma reunião do Conselho
Florestal Nacional (CFN), um órgão de consulta definido ao nível do Instituto
de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF, IP), estabelecido pelo
Decreto-lei n.º 29/2015, de 10 de fevereiro, e que integra cerca de 50
conselheiros. O acontecimento e o enquadramento de valorização deste órgão de
consulta levantam várias questões, alias em tempo formuladas pela Acréscimo.
Causa estranheza o facto do Ministério da Agricultura, Florestas
e Desenvolvimento Rural (MAFDR) não reunir o Conselho Consultivo Florestal
(CCF), órgão de consulta do Ministro, conforme o disposto na Lei de Bases daPolítica Florestal. Ao invés, parece ter optado por um órgão de consulta ao
nível de um instituto público, enquadrado por um mero decreto-lei, ainda mais
com um painel de cerca de cinco dezenas conselheiros?
Não será este um caso de violação grosseira ao disposto nos
Arts. 14.º e 15.º da Lei n.º 33/96, de 17 de agosto, aprovada por unanimidade
pela Assembleia da República?
Tendo em conta o envolvimento direto que o atual Secretário de
Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural teve e bem na elaboração da Lei
de Bases, na altura como Subdiretor Geral das Florestas, esperava-se agora que fossem
ajustadas as arbitrariedades do passado recente.
Afinal, que tipo de consulta pode a equipa ministerial esperar
de um órgão de um instituto público sob sua tutela e com cerca de 50
conselheiros? Faz sentido o ICNF dispor de um órgão de consulta, em matéria de
política florestal, quando a Lei de Bases define um órgão próprio para esse
efeito?
Dispondo o Ministério de um
enquadramento legal superior, definido ao nível Parlamento para o Conselho
Consultivo Florestal, estranha-se o motivo que leva o Governo a optar por uma
variante, definida por decreto governamental para um instituto sob tutela?
Publicada por
Acréscimo - Associação de Promoção ao Investimento Florestal
à(s)
17:29
Sem comentários:
Subscrever:
Mensagens (Atom)














